quinta-feira, 31 de julho de 2014

Direito Canônico - Do Múnus de Santificar da Igreja

LIVRO IV

DO MÚNUS SANTIFICADOR DA IGREJA

Cân. 834 — § 1. A Igreja desempenha o múnus de santificar de modo peculiar pela sagrada liturgia, que pode considerar-se como o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, na qual por meio de sinais sensíveis se significa e, segundo o modo próprio de cada um, se opera a santificação dos homens, e pelo Corpo místico de Jesus Cristo, Cabeça e membros, se exerce o culto público integral de Deus.
§ 2. Tributa-se este culto, quando é prestado, em nome da Igreja, por pessoas le­gitimamente escolhidas e por meio de ações aprovadas pela autoridade da Igreja.
Cân. 835 — § 1. Exercem este múnus santificador em primeiro lugar os Bis­pos, que são os sumos sacerdotes, principais dispensadores dos mistérios de Deus e bem assim os moderadores, promotores e guardiães de toda a vida litúrgica na Igreja que lhes está confiada.
§ 2. Exercem-no ainda os presbíteros, que, também eles participantes do sacer­dócio de Cristo, são consagrados como seus ministros, sob a autoridade do Bispo, para celebrarem o culto divino e santificarem o povo.
§ 3. Os diáconos participam na celebração do culto divino, segundo as prescri­ções do direito.
§ 4. Também os demais fiéis, ao participarem ativamente, a seu modo, nas celebrações litúrgicas, sobretudo na eucarística, têm uma parte que lhes é própria no múnus santificador; de modo peculiar participam neste múnus os pais, vivendo em espírito cristão a vida conjugal e cuidando da educação cristã dos filhos.
Cân. 836 — Já que o culto cristão, no qual se exerce o sacerdócio comum dos fiéis, é uma obra que procede da fé e nela se baseia, esforcem-se diligentemente os ministros sagrados por suscitar e ilustrar essa fé principalmente pelo ministério da palavra, mediante a qual ela nasce e se alimenta.
Cân. 837 — § 1. As ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da própria Igreja, que é “sacramento da unidade”, ou seja, o povo santo, reunido e ordenado sob a dependência dos Bispos; por isso, pertencem a todo o corpo da Igreja, que manifestam e afetam; atingem porém cada um dos seus membros de modo diverso, em razão da diversidade das ordens, funções e participação atual.
§ 2. As ações litúrgicas, na medida em que por sua natureza importam a cele­bração comunitária, celebrem-se, onde for possível, com a assistência e participação ativa dos fiéis. 153 LIV. IV — Do múnus santificador da Igreja
Cân. 838 — § 1. O ordenamento da sagrada liturgia depende unicamente da autoridade da Igreja, a qual se encontra na Sé Apostólica e, segundo as normas do direito, no Bispo diocesano.
§ 2. Pertence à Sé Apostólica ordenar a liturgia sagrada da Igreja universal, editar os livros litúrgicos e rever as versões dos mesmos nas línguas vernáculas, e ainda vigiar para que em toda a parte se observem fielmente as normas litúrgicas.
§ 3. Compete às Conferências episcopais preparar as versões dos livros litúrgi­cos nas línguas vernáculas, convenientemente adaptadas dentro dos limites fixados nos próprios livros litúrgicos, e editá-las, depois da revisão prévia da Santa Sé.
§ 4. Ao Bispo diocesano, na Igreja que lhe foi confiada, pertence, dentro dos limites da sua competência, dar normas em matéria litúrgica, que todos estão obri­gados a observar.
Cân. 839 — § 1. A Igreja desempenha ainda o seu múnus santificador por outros meios, a saber: as orações, pelas quais se pede a Deus que os fiéis sejam santificados na verdade, as obras de penitência e de caridade, que muito contribuem para enraizar e fortalecer o Reino de Cristo nas almas e para a salvação do mundo.

§ 2. Procurem os Ordinários dos lugares que as orações e demais exercícios piedosos e sagrados do povo cristão sejam perfeitamente conformes com as nor­mas da Igreja.

sábado, 14 de junho de 2014

Santíssima Trindade, Conhecer para Amá-la!

Santíssima Trindade


“Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são insondáveis seus juízos e impenetráveis seus caminhos! Quem, com efeito, conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem se tornou seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe fez o dom para receber em troca? Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória pelos séculos! Amém”. (Rm 11, 33-36).
Sobre a Santíssima Trindade, começo com um pensamento do século IV de Santo Atanásio, bispo, que diz assim: “não podemos perder de vista a tradição, a doutrina e a fé da Igreja Católica, tal como o Senhor ensinou, tal como os apóstolos pregaram e os Santos Padres transmitiram.” A doutrina da Igreja de Cristo não é um passa tempo para intelectuais, nem um mero e simples “devocionismo popular”, mas é a doutrina, o ensinamento das coisas sagradas, daquilo que contemplaremos na eternidade. Continua Santo Atanásio, “cremos na Trindade santa e perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; nela não há mistura alguma de elemento estranho; não se compõe de Criador e criatura; mas toda ela é potencia e força operativa; uma só é a sua natureza, uma só é a sua eficiência e ação.”
Sobre a Trindade, o Concílio Lateranense afirma que: “cremos firmemente e afirmamos simplesmente que há um só verdadeiro Deus eterno, imenso e imutável, incompreensível, todo-poderoso e inefável, Pai, Filho e Espírito Santo: Três Pessoas, mas uma Essência, uma Substância ou Natureza absolutamente simples”(CIC 202). Logo, como diz Santo Agostinho, a Trindade é Deus e Deus é a Trindade. O Catecismo da Igreja no nº 249 diz que “a verdade revelada da Santíssima Trindade esteve desde as origens na raiz da fé viva da Igreja, principalmente por meio do Batismo”. “Para a formulação do dogma da Trindade. A Igreja teve de desenvolver uma terminologia própria, recorrendo a noções de origem filosófica: ‘substância’, ‘pessoa ou hipóstase’, ‘relação’ etc.” (CIC 251).
“Foi Tertuliano quem criou o termo trínitas em latim. Ele elaborou a forma ‘uma substância em Três Pessoas’”. Assim podemos compreender melhor a Trindade conhecendo a sua Gramática: “uma natureza, ou essência: divina; duas processões: filho e Espírito, três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; quatro relações: paternidade, filiação, espiração ativa e espiração passiva; Cinco noções: inascibilidade, paternidade, filiação, espiração ativa e espiração passiva”. Aqui compreendemos toda a Trindade até aonde permite a nossa razão. Pois no final de tudo, quando a capacidade humana racional se esgotar diante de tamanho mistério, entrará o silêncio contemplativo.
Para compreender a Santíssima Trindade podemos resumir sua doutrina “em seis proposições, que desvelam toda a sua complexidade: 1. O Pai é Deus e, invertendo, Deus é o Pai; 2. O Filho é Deus e Deus é o Filho; 3. O Espírito Santo é Deus e Deus é o Espírito Santo. E agora, de modo negativo, para não deixar dúvidas quanto à sua distinção das Pessoas; 4 O Pai não é o Filho nem o Espírito Santo; 5. O Filho não é o Pai nem o Espírito Santo; e 6. O Espírito Santo não é o Pai nem o Filho” (GRINGS, 1999, p. 105).
Vemos assim que o Pai é somente o Pai, que o Filho é somente o Filho e que o Espírito Santo é ele mesmo. Santo Agostinho diz: “o Deus verdadeiro não é somente o Pai, mas o Pai, o Filho e o Espírito Santo” (AGOSTINHO, A Trindade, 1994, p. 227). Na Trindade a matemática perde sua lógica, pois Três são Um.

Referências:

AGOSTINHO, Santo. A Trindade. São Paulo: Paulus, 1994.
BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. Português. São Paulo: Paulus, 2004.
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. São Paulo: Loyola, 1999.

GRINGS, Dadeus. Creio na Santíssima Trindade: jubileu do ano 2000. Aparecida: Editora Santuário, 1999.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Brasil, País antagônico: Copa do Mundo.

COPA DO MUNDO


Hoje começa a Copa do Mundo. O Brasil é privilegiado por ser o País que tal evento acontecerá. Copa do Mundo enquanto esporte é uma arte e uma alegria para milhões de pessoas no Mundo todo. O Papa Francisco na sua mensagem para a Copa do Mundo, disse que é um evento de solidariedade entre os povos. É um momento oportuno para o diálogo entre as Nações.
Contudo não podemos esquecer que o Brasil correu contra o tempo para construir estádios para os jogos; que procurou atender as exigência da FIFA. Só poderão ir aos estádios aquelas pessoas que têm condições. A Copa do Mundo é para ricos... Pobres assistirão em casa pela sua TV comprada a prestação.
O Brasil é uma realidade antagônica. Enquanto mostra a bela construção de estádios, bem perto, a poucos quilômetros deles aparecem, como pano de fundo, as favelas...
Seria bom ter Copa do Mundo todo ano no Brasil...
Mas, a parte essa realidade, vamos curtir a beleza do ESPORTE e construir um mundo mais humano e solidário, como disse o Papa Francisco. Que a Copa do Mundo não nos faça esquecer dos que estão à margem da sociedade, nas periferias e, também, periferias existenciais...





Mensagem do Papa Francisco para a Copa do Mundo

Martírio de Estevão (At 7, 51-60)

Martírio de Estevão



O martírio de Estevão se deu, como foi visto, por causa do seu testemunho de fé em Jesus Cristo. A sua morte é, na verdade, “o ponto máximo da repressão judaica”[1] contra os apóstolos. Esta perícope (Lc 7,55-8,1a) revela uma profunda espiritualidade daquele que é o primeiro mártir da história do cristianismo. Conforme At 7,55, “ele estava cheio do Espírito Santo”, ou seja, o Espírito Santo estava presente com grande poder, a ponto de possibilitar a Estevão “um momento gostosíssimo da glória celestial.”[2] Ao ver a “glória de Deus”, Estevão contempla aquilo que os israelitas viam no deserto, quando Deus mostrava sua glória na libertação do Egito. Neste sentido, o mesmo Deus que estava com o povo judeu, agora está com a Igreja – povo de Deus – nascente.
Estevão começa o seu discurso falando “do Deus da glória (7,22), e termina o seu discurso tendo uma visão dessa glória, pertencente ao Filho do Homem”.[3] A postura de Cristo ao lado do Pai, na hora do martírio, reflete uma postura de quem está na qualidade de testemunha do ato cruento.
Estevão faz questão de falar que vê o “céu aberto e o Filho do Homem à direita de Deus.” Isto revela que Cristo está reinando e que o Pai juntamente com o Filho expira o Espírito Santo para zelar e governar a sua Igreja. O sangue do primeiro mártir é fonte de vida nova para a Igreja nascente. Contemplado com tão bela visão, ele faz questão de testemunhá-la, o que provocou a ira dos judeus. A precipitação violenta do povo contra Estevão, mostra mais uma vez a manipulação das autoridades judaicas contra a obra divina. A maneira como é morto o primeiro mártir é idêntica à de Cristo. Aqueles algozes, impulsionados pela inveja, tornaram-se selvagens, bem diferentes de um filho de Deus. A maldade caiu sobre o amor. Não houve julgamento justo e leal; não houve decisão judicial “formalmente proferida”.[4]
Saulo estava por perto (7,58), vendo tudo e aprovando, pois ainda perseguia os cristãos, e recebe e suas mãos as vestes de Estevão, bem como os seus objetos de valores pessoais. Sem dúvida, Paulo, no início de sua caminhada, foi culpado de muitos crimes contra os cristãos (At 9,13-14). O texto diz que Saulo era jovem, mas essa expressão “pode referir-se a um homem até à idade de quarenta e cinco anos”.[5]
A invocação de Estevão para Deus receber o seu espírito, está em conformidade com aquela feita por Cristo na cruz. Uma bela expressão de confiança diante da própria visão que tivera. O céu é o prêmio que a coroa do martírio possibilita, como o próprio nome de Estevão, em “grego Stephanos, que significa coroa.”[6] E antes de morrer, pede perdão para os seus algozes, pois são ignorantes, não sabem o que estão fazendo. O perdão é um dom manifestado por Cristo, e Estevão agora coloca em prática. O amor supera a rebeldia.




[1] FABRIS, 1991, p. 145.
[2] CHAMPLIN, 2002, p. 164.
[3] Ibidem, p. 165.
[4] Ibidem, p. 165.
[5] Ibidem, p. 166.
[6] BOGAERT et al, 2013, 483.


Referências:

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. Português. São Paulo: Paulus, 2004.
BOGAERT, Pierre-Maurice, et al. Dicionário Enciclopédico da Bíblia. São Paulo: Paulus; Loyola; Paulinas; Academia Cristã, 2013.
CHAMPLIN, R. Norman. Novo Testamento: versículo por versículo. v. 3: Atos, Romanos. São Paulo: Hagnos, 2002.
FABRIS, Rinaldo. Os Atos dos Apóstolos. v. 3. São Paulo: Loyola, 1991.


Permanecer em Jesus - Tronco que dá vida aos Ramos: Igreja.

Permanecer em Jesus


Jesus, a videira verdadeira (15,1-17), é uma perícope dividida em dois blocos: a primeira parte é uma alegoria e a segunda parte uma explicação. Para compreender melhor, os caps. 15–17 parecem estar em desarmonia como se fossem colocados no Evangelho mais tarde, pois o cap. 14,31 termina com um convite de Jesus para sair e ir para outro local, que pode ser compreendido no cap. 8,1ss. Mas é um fragmento próprio de João, com característica própria do evangelista. Estes capítulos, na verdade, é mais um discurso de despedida.
O texto da Videira pode ser dividido segundo Fabris e Maggioni da seguinte forma: “a alegoria da vide e os ramos (vv. 1-6) e um discurso explicativo (vv. 7-17)”.[1] Jesus começa a sua pregação dizendo que ele é a “videira verdadeira”, mas com a expressão ego eimi: eu sou. Outras afirmações análogas desse tipo já foram feitas: eu sou o pão, eu sou o caminho, eu sou a luz. No caso da videira, ele dá ênfase na verdade: eu sou a videira verdadeira, diferente de outros que surjam, ou mesmo diferenciando a antiga aliança com a Nova Aliança em seu nome. Também é muito provável que “Jo pretende opor-se às propostas do sincretismo helenista, que exerce fascínio sobre os seus contemporâneos”.[2]
É do conhecimento de todos que o tema da videira já era apresentado no AT com determinada importância por Is 5,1-7. Neste contexto, a vinha, logicamente, é Israel, a esposa do Senhor. Porém, a esposa trai o seu amado, e torna-se seca e improdutiva. Da sua vinha, Deus disse: “arrancarei a sua cerca para que sirva de pasto”(Is 5,5). Diferente do antigo Israel, em Jesus é possível ter uma vinha verdadeira e que produza frutos bons e agradáveis.
Se Jesus é a videira, a Igreja – povo de Deus – são os ramos. E para que a Igreja dê bons frutos ela deve permanecer unida, íntima, em plena comunhão com o tronco. Caso contrário, o Pai que é o zelador (v. 2.) cortará e jogará fora aqueles ramos que não servem. Neste sentido, dar frutos é fazer a vontade de Jesus e do Pai, não dar frutos significa uma vida toda no pecado, fora da comunidade eclesial. Para o evangelista, a permanência é recíproca, contudo, da parte de Jesus esta permanência é segura e honesta, já da parte dos membros nem sempre.  “Critério do juízo são os frutos: o ramo frutífero é podado, mas o ramo estéril é queimado. Mais profundamente, o critério do juízo é o permanecer em Cristo, isto é, a mais absoluta dependência”.[3] O v. 10 vai dizer que permanecer em Jesus é permanecer no seu amor e guardar os seus mandamentos. Este ato de permanecer se dá da seguinte forma: Cristo é o mediador entre o Pai e os discípulos, ou seja, aquele que proporciona a comunhão entre a eclesia e a Trindade. Logo, “estar unido a Cristo como ramo à videira significa estar inserido no seu amor, que tem sua vertente na comunhão do Pai e do Filho (v.9)”.[4]
O amor é a maior expressão de unidade e de comunhão entre a própria Igreja e desta com o seu Mestre. De fato, a comunidade dos crentes, dos discípulos é o lugar do amor. A Igreja, neste sentido, sabe que “somente a entrega aos outros pode dar a certeza de ser objeto do amor de Deus. Este é o critério que discerne a autenticidade da experiência interior”.[5]
Concluindo, é possível dizer que: permanecer unido à videira verdadeira e dar bons frutos é fazer a vontade do Pai e do Filho pela força do Espírito Santo praticando e expressando os mandamentos de forma amorosa na comunidade. Cristo quer uma Igreja em comunhão, em harmonia uns com os outros, em plena alegria (v. 11), e os mandamentos serão a garantia dessa realização.






[1] FRABIS; MAGGIONI, 2006, p. 428.
[2] Ibidem, p. 429.
[3] Ibidem, p. 431.
[4] Ibidem, p. 433.
[5] MATEOS; BARRETO, 1999, p. 651.


Referências:

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. Português. São Paulo: Paulus, 2004.
FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os Evangelhos II. ed. 4. São Paulo: Edições Loyolas, 2006.
INTERLINEAR, grego-português, Novo Testamento. Barueri: Sociedade bíblica do Brasil, 2004.
MATEOS, Juan; BARRETO, Juan. O Evangelho de São João: análise linguística e comentário exegético. ed. 2. São Paulo: Paulus, 1999.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

JESUS: a Videira Verdadeira

A VIDEIRA VERDADEIRA

Fonte: Google.

O Evangelho segundo São João é o Evangelho do amor, da comunidade, do testemunho apostólico. O olhar eclesiológico da perícope (15,1-17) está precedido pelo aprofundamento cristológico. Uma comunidade não subsiste se não estiver fundamentada em Cristo-videira. João alerta sua comunidade a permanecer, a ficar com o Senhor, pois Cristo está no Pai e o Pai está com o Filho. Permanecer no Filho é permanecer na Trindade.
“O olhar fixo de Jesus ultrapassa o tempo das separações, para aplicar-se diretamente à futura existência das comunidades dos discípulos e fortificá-la”[1]. Isto que é prometido em 14,20 (Nesse dia compreendereis que estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós) é pressuposto para 15,4 “Permanecei em mim como eu em vós.” Depois os convida para sair, Jesus prossegue com a imagem da vinha e dos ramos. No AT, a videira representa Israel (Sl 80,9-17; Os 10,1; Is 5,1-7; 27,2-6; Jr 2,21; Ez 15,1-8; Eclo 24,17-20), neste trecho de (Jo 15,1-17), é Jesus intimamente unido aos ramos que são os discípulos (cf a imagem da porta e do Pastor do capítulo 10). “A videira ou vinha era de fato símbolo de Israel como povo de Deus.”[2] Na perícope, Jesus quer fortificar os discípulos na missão com plena intimidade com Ele mesmo e com o Pai. Para que o discipulado dê frutos é preciso viver em comunidade e como comunidade unida ao Tronco, ou seja, ao Pai. Com isso, Pai e Filho se configuram na unidade e fundamento da árvore.
É possível fazer uma analogia entre a imagem da videira e àquela paulina do “corpo”. Aqui a cristologia se desenvolve em precedência do discurso da eclesiologia. Para estruturar uma Igreja é necessário antes o Cabeça. O discípulo, membro da Igreja, deve permanecer unido a Jesus-Capo, do mesmo modo que Jesus é com o Pai. Só assim poderá dar bons frutos e continuar a obra de Jesus: aquela de manifestar ao mundo o amor do Pai. O amor eclesial manifesta ao mundo o amor Trinitário no qual o discípulo é chamado a viver. Este, em síntese, é o pensamento de João.
Para João, Jesus não é uma videira qualquer, mas a única Verdadeira, que o Pai plantou no meio dos homens. O Pai, portanto, é a fonte, Jesus o revelador do seu amor, e os discípulos entram como aqueles que darão continuidade da sua obra. A comunidade participa do mesmo tronco da videira, que é Jesus. O Pai é a fonte das seivas, que por meio de Jesus, chega à comunidade dos discípulos. Esta, para produzir fruto deve permanecer em Jesus. Serão os frutos sinais de unidade e pertença da comunidade à videira.
A união dos ramos à videira não pode ser somente aparente, mas frutífera, pois os ramos que não “produz fruto, Ele – O Pai – o corta” (v. 2). A poda é diferente, o Pai quando poda, faz para que o fiel dê bons frutos. Na vida do discípulo, é preciso fazer muitas podas para que aquilo que é velho seja jogado fora.
De fato, o que não presta deve ser jogado fora. O que deve conservar-se é a palavra (v. 3) ou “as palavras” (v. 7), ou o “permaneci em mim” (v. 4) no coração do discípulo, a fim de que sejam purificados e produzam frutos. Se não tiver esta comunhão entre a comunidade e o mestre, nada podem fazer: “sem mim, nada podeis fazer” (v.5). Estar unido a Jesus-Videira, numa “imanência recíproca” possibilitará a comunidade dos discípulos pedirem o que quiser e será concedido por parte do Pai (v.7). O Pai é glorificado não somente pelo testemunho do Filho, mas pelos frutos visíveis dos verdadeiros discípulos de Jesus. (v.8).
Da alegoria (15,1-8), Jesus passa agora a falar das realidades do amor (15,9ss): “o frutificar-se revela-se no mais profundo do amor”[3]. Também é possível dizer que “o fruto é a realidade do homem novo”.[4] Jesus convida os discípulos a permanecer no amor dele e do Pai. O amor que o Pai tem para com Jesus é a fonte e o arquétipo do amor de Jesus para os discípulos: “assim como o Pai me amou também eu vos amei” (v. 9). Jesus continua ensinando os seus discípulos dizendo que a maior prova de amor será a observância dos mandamentos; Cristo é o modelo: Ele guarda os mandamentos do Pai, assim também a comunidade eclesial deve guardar os mandamentos de Jesus. Os mandamentos são aquelas leis divinas pelas quais a comunidade deve viver. E o mandamento de que Jesus fala (v.12) é o amor fraterno; este amor fraterno, na comunidade, se reflete na acolhida, a escuta, na caridade para com os mais necessitados que fazem parte dos ramos da vinha.
“O ato de permanecer no amor de Jesus produz nos discípulos frutos de alegria (cf Gal 5,22 onde há amor sucede a alegria). Uma alegria que tem duas dimensões: cristológica, porque é a alegria dada por Cristo ressuscitado e escatológica, porque é uma alegria plena, completa, perfeita.” Quando o amor fraternal é vivido, há possibilidade de doar até a própria vida. Jesus mostra que “doar a vida” (v.13) pelos amigos é possível. Isso será visível na cruz; na cruz, Jesus morre pelos discípulos, pela Igreja e por toda a humanidade. O sinal de amor de Cristo para com os discípulos é a cruz, e o sinal do amor da Igreja para com Jesus é a prática dos mandamentos, especificamente neste texto: amar uns aos outros. Jesus alerta logo aos seus discípulos: só são “meus amigos se praticais o que vos mando”(v.14). Se os ramos não obedecerem aos mandamentos do Tronco, não podem permanecer ligados à videira. Mais uma vez Cristo volta a insistir com seus discípulos sobre a obediência aos mandamentos (cf. 14,15; 15,10). O Evangelista que evidenciar que a obediência é a base verdadeira e vital da comunidade, ao mesmo tempo em que as obras são sinais infalíveis da fé. João alerta: quem diz, na comunidade de pertencer ao Senhor, mas vive em pecado e do pecado não quer sair, negligencia os mandamentos de Cristo, e está no caminho largo que leva a perdição.
O ato de obedecer e praticar os mandamentos darão aos discípulos uma nova categoria no discipulado de Jesus: amigos. O evangelista evidencia que pertencer ao Senhor agora (15,15) é mais que ser servo, é ser amigo! No seguimento de Jesus, os discípulos eram considerados como servos (doulos) (cf. Jo 12,26; 13,13-16; Mt 10,24-25) e continuarão a sê-los talis quais. Mas agora o Senhor declara sobre outro aspecto que, pela confiança e amor neles depositados, são chamados a um grau superior, de amigos. Jesus quer aproximar mais os discípulos de si chamando-os de amigos. “A comunicação entre amigos já não é a de mestre a discípulo; já terminou o aprendizado, pois Jesus já comunicou tudo (...) o tipo de relação que Jesus tem com os discípulos é a que Jesus tem com o Pai (cf. 10,14s; 14, 10-11.20; 15,9s)”[5].  “O tema da amizade é muito importante, seja no mundo greco-romano, seja no judaico. No judaísmo são amigos de Deus Abraão (Is 41,8; 2Cr 20,7; Tg 2,23), Moisés (Ex 33,11)” e aqueles capazes de penetrar os mistérios de Deus, como os profetas. Jesus, ao elevar os discípulos a categoria de amigos, está lhes dando a possibilidade de uma “vida de santidade e intimidade com Deus, capaz de penetrar no mais profundo conhecimento de suas exigências ou de seus mistérios ao passo de torná-los seus interpretes autorizados, capazes de iluminar os outros homens”. Este versículo dá um novo sentido aos membros da comunidade joanina e, hoje, a toda a Igreja: a amizade que deve haver entre os discípulos e o Mestre. A importância da amizade é tanta que o Filho deu aos amigos aquilo que até então estava entre Ele mesmo e o Pai: “tudo que ouvi de meu Pai vos dei a conhecer”. Jesus é fiel e obediente ao Pai, pois o que Jesus passa aos discípulos é vontade própria do Pai. Cristo é a Ponte e o conteúdo por onde passa o plano de salvação. Ele é a ponte porque o conteúdo vem do Pai, mas Ele é também o conteúdo salvífico, ele é a salvação encarnada. A mesma comunhão que existe na trindade, é reflexo da comunhão que deve existir entre os membros da comunidade.
O discípulo não pode esquecer-se quanto ao objetivo da missão: permanecendo sempre com Jesus, ir para missão e dar frutos (v.16). O discípulo não pode vangloriar-se dessa amizade, pois Jesus exorta: “não foste vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi”. Parece uma exortação muito dura; de fato, Brown vê nestas palavras um aviso para não se orgulhar depois das grandes coisas que Jesus lhes tinha anunciado como revelação do Pai. Os discípulos tem uma missão muito importante, não podem vacilar neste projeto salvífico. É Jesus quem escolhe aquele que Ele quer (Marcos 3,13), a escolha já é uma graça, um dom: participar da vida eterna e da eterna comunhão trinitária. Os discípulos são enviados, os frutos devem aparecer, e o testemunho deve permanecer, testemunho de vida fraternal. Só assim é que qualquer coisa que for pedido ao Pai em nome de Jesus lhes será concedido. Os versículos 16 e 17 é a conclusão da eclesia formada e querida por Jesus e vivenciada na comunidade joanina. A Igreja é constituída por Cristo, Ele assim o quis (Mt 28,19-20), “eu que vos escolhi e vos designei para irdes”. Aqui é possível dizer que antes da eclesiologia vem a cristologia, sendo a base da eclesia o mandato: “amai-vos uns aos outros” (v.17).
Os discípulos, como comunidade fundamentada no amor, devem enfrentar o mundo com uma nova proposta evangélica: o Reino de Deus. Este Reino será constituído pelo novo povo de Deus que farão parte deste caminho salvífico. A missão dos discípulos, colocada por João nesta perícope analisada, será agregar pela força do Espírito Santo todos os homens e mulheres debilitados pelo pecado. E a primeira forma de anúncio é o testemunho comunitário.



 
Fonte: Google.






[1] Schnackenburg, Rudolf.  Il vangelo di Giovanni. Brescia: Paideia, 2000.
[2] MATEOS, Juan, S. J. O Evangelho de João: análise linguística e comentário exegético. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1999.
[3] Schnackenburg, 2000.
[4] MATEOS, 1999.
[5] MATEOS, 1999. 



REFERÊNCIAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. Português. São Paulo: Paulus, 2004.
MATEOS, Juan, S. J. O Evangelho de João: análise linguística e comentário exegético. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1999.
OLIVEIRA, C. J. Pinto de. O Evangelho da unidade e do amor. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1963. 
SCHNACKENBURG, Rudolf.  Il vangelo di Giovanni. Brescia: Paideia, 2000.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

HOMILIA DE DOM OTTORINO NA MISSA DOS SANTOS ÓLEOS - A COMUNHÃO SACERDOTAL

MISSA DOS SANTOS ÓLEOS – 15.04.14



1. A celebração desta Missa dos Santos Óleos nos ajuda a compreender a dimensão sacerdotal do povo de Deus: o sacerdócio comum dos fiéis em força do Batismo e o sacerdócio dos ministros ordenados; este não exclui o outro, mas o enriquece.
A vocação e a missão dos leigos são tão importantes para a vitalidade das nossas Comunidades, seja pelo esforço de comunicar a fé às crianças e jovens, seja pela animação das pastorais e pelo anúncio do Evangelho, seja pela presença nas estruturas e dinamismos da sociedade, com especial atenção às instituições de caridade.
Aos sacerdotes, ministros ordenados, cabem estimular e apoiar, em força da graça própria da ordenação, esta riqueza e pluralidade apostólica dos fiéis. E estes, os fiéis, precisam necessariamente da presença dos ministros ordenados, porque, pelo sacramento da Ordem, encarnam a pessoa e a missão de Jesus Cristo.
O caráter indispensável do ministério sacerdotal convida-nos a um compromisso sério e decidido na pastoral das vocações sacerdotais, porque é de suma importância para a vida da Igreja e do mundo.
Devo, neste momento, lamentar a escassez das vocações sacerdotais em nossa Diocese: não porque Deus não chama, mas porque nós não rezamos insistentemente ao Senhor da messe, porque não trabalhamos com entusiasmo neste campo tão delicado, porque não testemunhamos a alegria de ser sacerdotes, porque não dirigimos o convite aos nossos jovens e porque, estes também, se fazem de surdos aos apelos de Deus e gostam mais das propostas do mundo.
Haja, em nossa Diocese, uma corrente de orações, como um cerco de Jericó ao redor dos jovens, para derrubar os muros da superficialidade, dos prazeres humanos, da liberdade individual, do egoísmo e do medo: quase por encanto, veremos surgir novas vocações, generosas e corajosas!
2. Mas, nesta celebração, nós podemos entender, pela consagração dos santos óleos, a abundância sacramental na Igreja pela ação  dos ministros ordenados; esta Missa, dita da unidade, porque reúne os presbíteros ao redor do Bispo, mostra a riqueza sacramental que é, principalmente, dom de Deus e, ao mesmo tempo, compromisso pastoral nosso, a partir da comunhão de amor que brota do mistério trinitário.
O Papa João Paulo II, proximamente santo, dizia: “A identidade sacerdotal, como toda e qualquer identidade cristã, encontra na SS. Trindade a sua própria fonte” (PDV,12).
Esta provocação que vem do Santo Papa, leva-me, mais uma vez, a tocar no tema da comunhão presbiteral e na caridade fraterna, tão almejada pelo Senhor Jesus na longa oração sacerdotal, antes da Paixão.
Todos os anos, na celebração da Missa crismal, ofereci estímulos e pedi um compromisso sério na construção desta comunhão, mas ainda estamos longe: temos que admitir esta falha.
Não basta denunciar a falta de comunhão e caridade fraterna; precisa agir, começar com gestos concretos de amor, com humildade e perseverança, senão é pura atitude fingida, é álibi ao nosso agir.
Sinto-me na mesma situação de Jesus diante de Jerusalém: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados, quantas vezes quis reunir teus filhos como a galinha recolhe seus pintainhos debaixo das asas, mas não quisestes!” (Lc 13,34).
O meu coração de pai e irmão está ferido e machucado, sofre do mesmo jeito, porque vejo os entrelaços que impedem o crescimento, percebo as barreiras que freiam minha ação, mas não renuncio a indicar os comportamentos que não favorecem e destroem a comunhão: quem não assume este compromisso vivendo às margens da comunidade sacerdotal, quem semeia cizânia, espalhando suspeitas e até calúnias, este está aliado com o diabo, que é a raiz de todos os males; quem não perdoa, quem ignora o seu irmão, quem tem vida ambígua é indigno do ministério sacerdotal.
Jesus sabia quanto seria difícil viver a comunhão e rezava ao Pai “para que sejam um como nós”, mas ao mesmo tempo pedia-lhe de guardá-los do Maligno “para que sejam perfeitos na unidade  e para que o mundo creia”; somente a vida íntima com a SS. Trindade pode garantir a comunhão.
3. A celebração desta noite é marcada por uma forte espiritualidade sacerdotal, porque foi na Primeira Páscoa, a Páscoa definitiva, que Jesus Cristo exerceu o seu múnus sacerdotal, substituindo-se ao cordeiro pascal: Ele se ofereceu como verdadeiro Cordeiro; foi uma Páscoa eterna, no sentido que nunca irá se esgotar, porque naquela Primeira do tempo definitivo, Jesus incumbiu aos 12 Apóstolos de dar continuidade para sempre: “fazei isto em memória de mim”.
É a partir da Eucaristia que poderá desabrochar e crescer a nossa espiritualidade sacerdotal. Indico alguns aspectos desta espiritualidade.
Antes de mais nada, o Sacerdote age na Pessoa de Jesus Cristo que está presente nele. Isso exige, por parte do Sacerdote, uma semelhança sempre mais profunda com Jesus que está nele, a fim de ser, como Jesus: caminho, verdade e vida. Podemos dizer isso com serenidade?
Em segundo lugar, nós sabemos que a santidade é a qualidade específica de Jesus: ela é bondade, é amor, é beleza interior, é pura luz. Estamos, pelo menos, tentando o caminho da santidade, revestindo-nos destas qualidades? Como Sacerdotes, temos a consciência de ser ministros de santificação, pontes de encontro entre Deus e os homens?
O Papa Francisco, comentando ontem aos Seminaristas maiores a Palavra de Ezequiel “Ai dos pastores que apascentam a si mesmos”, dizia: “Vós não vos estais preparando para exercer uma profissão, para vos tornardes funcionários de uma empresa ou de um organismo burocrático. Cuidado, estais atentos a não cair nisso! Trata-se de se tornarem Pastores à imagem do Bom Pastor. Quem não se sentir disposto a seguir este caminho, com esta atitude e orientação, tenha coragem de procurar outra estrada”....;
Lendo nestes dias um texto de Madre Trinidad de la Santa Iglésia, sobre a mesma passagem de Ezequiel, ela comentava: “Há sacerdotes sem viverem em comunhão com Deus, sem o conhecerem, sem saberem bem os critérios divinos e, portanto, sem assimilarem a vida da Igreja, usurpando aos leigos a formosa responsabilidade que Deus lhes confiou no seio da Igreja”: palavras gravíssimas! A espiritualidade sacerdotal é exatamente o contrário.
Outro elemento da espiritualidade sacerdotal é: ser apaixonados, enamorados por Deus. Estamos vivendo num tempo difícil, que obscurece o que é sagrado; não podemos perder o enamoramento com Deus, pelo contrário, temos que regenerá-lo interiormente a cada dia, se não quisermos que outros amores tomem conta de nós. A vida do Padre, sem a paixão por Deus, é pesada demais e poderia se tornar insuportável. Mas, vejam bem, a solução não está no abandono, mas no retorno à fonte da alegria, ao amor de Deus, que basta ao coração, como lembra Santa Tereza.
Este é o grande mistério que nos envolve, que nos preenche e que tem como objetivo a renovação do mundo, conforme o projeto de Deus.

Poderia dizer muitas coisas ainda sobre a nossa espiritualidade, mas paro por aqui. Confesso que a preparação desta homilia me causou muito sofrimento, com sentimentos de frustração, de derrota, de culpa. Onde está a comunhão do meu presbitério? Onde está o mal que impede a comunhão? Levantei os olhos ao Crucificado, refleti sobre o lema do meu brasão “A cruz de Cristo em nossos corações”; entendi: é pela paixão e morte que se chega à Ressurreição. Retomo, portanto, com humildade o meu caminho, consciente das minhas limitações e fraquezas, mas firme certeza que o Senhor está ao meu lado, está ao vosso lado; está em vosso meio, meus irmãos e minhas irmãs! Rezai por nós.